Novos Tratamentos

 

A Era dos Biológicos.

Autoimunidade” é uma condição na qual o sistema imunológico agride estruturas da própria pessoa, de forma semelhante à que procede contra vírus, bactérias e outros patógenos.  Uma parte das doenças abordadas pela reumatologia são conseqüências desta autoimunidade. Nas últimas décadas o desenvolvimento da biotecnologia permitiu um salto exponencial no nível de conhecimento acumulado sobre o funcionamento do sistema imunológico. A conseqüência natural disso foi o desenvolvimento de drogas capazes de agir diretamente sobre os aspectos “fora da ordem” em cada uma destas doenças. Nasciam os medicamentos “biológicos“.

São chamados de biológicos porque são idênticos ou inspirados em estruturas encontradas em seres vivos. São, de fato, muitas vezes produzidos por seres vivos, via técnicas de engenharia genética. Inclui-se na categoria anticorpos, interleucinas (espécie de hormônio que media inflamação), receptores para as interleucinas, antagonistas destes receptores, entre outros. São substancias capazes de reconhecer estruturas específicas com exatidão, retira-las de circulação, ativar ou inativá-las. Existem mais de 30 tipos diferentes de biológicos já liberados para uso ou em testes clínicos. O benefício de alguns deles em certas doenças é inegável, trazendo melhora objetiva e até remissão completa da doença, mesmo em pacientes que já não respondiam aos tratamentos convencionais. Por outro lado a euforia inicial foi diminuída à medida que se percebia que até um terço dos pacientes (segundo a Arthitis Foundation, nos EUA) não respondiam ou deixavam de responder também às novas medicações, e que o efeito sobre o sistema imunológico poderia trazer efeitos colaterais nada insignificantes, como maior propensão a infecções e câncer. O custo é outro limitante. Algumas destas substancias podem custar cerca de R$10.000,00 mensais, por tempo indeterminado.

Certamente estas dificuldades limitam, mas estão longe de inviabilizar o uso dos biológicos. O custo tende a cair com o aperfeiçoamento das técnicas de produção e com a concorrência entre as companhias farmacêuticas, e aos poucos vamos descobrindo as doses, as combinações e o “timing” para cada uma destas drogas, em cada doença. Hoje já é impensável fazer reumatologia sem os novos biológicos, e certamente o futuro trará ainda melhores surpresas. Mas por enquanto estas substâncias são indicadas para casos e pacientes específicos, geralmente após falha da terapia convencional. Mantenha-se informado sobre as novidades terapêuticas na sua área de interesse! Assine nossa newsletter!