Reumatismo Palindrômico

Reumatismo Palindrômico

A palavra “palíndromo” deriva das raízes gregas palin (πάλιν; “volta”) e dromos (δρóμος; “caminho, direção”). Ela é aplicada a palavras, números ou frases que são idênticas se lidas normalmente ou de trás para frente.  Para exemplificar, meu palíndromo predileto é “socorram me subi no onibus em marrocos”. O termo foi inicialmente aplicado a este tipo de reumatismo em 1944 e tenta expressar a idéia de que o processo “termina como começa”.

É uma doença rara, 20 vezes menos freqüente que a artrite reumatoíde, que acomete igualmente homens e mulheres, tipicamente entre os 20 e os 50 anos de idade.  Nela o paciente experimenta ataques repentinos e repetidos de dor e inflamação em uma ou poucas articulações, de duração variável (de horas a dias), e com intervalo entre as crises também variável (dias a meses).  Os tecidos próximos das articulações também podem ficar inflamados e, algumas vezes, aparecem nódulos subcutâneos (carocinhos dolorosos em baixo da pele) próximos aos cotovelos, joelhos, punhos ou, principalmente, dedos.  Os ataques terminam como começaram, não deixando seqüelas.

Durante os ataques geralmente há elevação dos exames que indicam inflamação (VHS e PCR) e cerca de 50% dos pacientes apresentam Fator Reumatóide (FR) e anti-CCP, anticorpos geralmente atribuídos a artrite reumatóide, mas não há exames específicos que determinem o diagnóstico.  Ele é conseguido a duras penas, com a exclusão de doenças que apresentam manifestações semelhantes (principalmente gota, pseudo gota, artrite reumatóide inicial, febre reumática, entre outras), e geralmente após longos períodos de observação (com a constatação do quadro clínico típico e recorrente, e da ausência de seqüelas).

O reumatismo palindrômico não tem causa definida e possivelmente engloba diferentes doenças sob este nome. Cerca de 30% dos casos vão mais tarde desenvolver artrite reumatóide e já foi sugerido que ele seria uma forma “abortada” da artrite reumatóide. O sexo feminino, o envolvimento do punho e das interfalangenas proximas (articulações dos dedos mais próximas das mãos), e a presença do fator reumatóide ou anti-CCP tornam esta possibilidade mais provável.

O tratamento não é bem determinado, mas se os ataques não forem freqüentes, antiinflamatórios comuns apenas nas crises parecem ser eficazes.

CD-10    M12.3 ; CD-9      719.3

Referências:

Primer of Rheumatic Disease, 13ª edição, 2008, capítulo 24.

Salvador G, Gomez A, Vinas O, et al. (August 2003). “Prevalence and clinical significance of anti-cyclic citrullinated peptide and antikeratin antibodies in palindromic rheumatism. An abortive form of rheumatoid arthritis?”. Rheumatology (Oxford) 42 (8): 972-5. doi:10.1093/rheumatology/keg268. PMID 12730510.

Powell A, Davis P, Jones N, Russell AS (June 2008). “Palindromic rheumatism is a common disease: comparison of new-onset palindromic rheumatism compared to new-onset rheumatoid arthritis in a 2-year cohort of patients”. J. Rheumatol. 35 (6): 992-4. PMID 18412310.