Costocondrite e Síndrome de Tietze

Costocondrite

Costocondrite (também chamada de síndrome costoesternal, síndrome da parede torácica, síndrome da parede torácica anterior, ou condrodínia paraesternal) é uma causa relativamente freqüente de dor torácica anterior.  Dor recorrente nas articulações costo-condrais (no centro do peito, onde as costelas se juntam ao esterno) é a principal queixa, e é geralmente desencadeada por certos movimentos do tórax, como extensão da coluna cervical ou tração posterior dos braços estendidos, pela palpação das articulações ou por tosse ou inspiração profunda.  O acometimento de mais de uma articulação é freqüente, principalmente da 2ª à 5ª articulação conto-condral e/ou costo-external.  As causas não são bem estabelecidas, mas a freqüente presença de uma história de tosse excessiva ou pequenos traumas sugere um processo mecânico simples, de traumas/ sobrecarga gerando inflamação.

Síndrome de Tietze

A síndrome de Tietze é uma condição bastante semelhante, mas muito mais rara que a costocondrite. Aqui há inchaço, dor espontânea e dor à palpação das mesmas articulações cartilaginosas da parede torácica anterior. Tietze pode ser distinguida da costocondrite por uma série de fatores: menor idade de início, predileção pela 2ª e 3ª articulação costo-condral, lesão unilateral ou única em mais de 70% dos pacientes e, principalmente, pela presença de edema (inchaço) local. Quando há mais de uma articulação acometida, elas tendem a ser vizinhas em um mesmo lado do tórax. O edema, a menor idade dos pacientes e o acúmulo anormal de contraste nas articulações à cintilografia sugerem uma natureza mais inflamatória na S. de Tietze em comparação à costocondrite, mas aqui também as causas não estão bem estabelecidadas.

Diagnóstico

O diagnóstico de costocondrite ou Tietze é clínico; não há nenhum exame laboratorial ou radiológico característico. A exclusão sistemática de outras condições que podem mimetizar estas síndromes é fundamental. Doença das coronárias está presente em 3 a 6% de todos os adultos com dor torácica. História e exame físico são geralmente suficientes para diagnosticas Tietz ou costocondrite em crianças e adolescentes, mas em indivíduos acima dos 35 anos, principalmente naqueles com história que sugira risco coronariano, ou com sintomas cardiopulmonares, mais testes se fazem necessários. Estas articulações podem também ser acometidas em doenças sistêmicas, como artrite reumatóide, artrite psoriática, espondiloartropatias, entre outras.

Opções Terapêuticas

Tanto costocondrite quanto síndrome de Tietze são condições benignas e autolimitadas, mas recorrências são freqüentes. O conforto de um diagnóstico preciso, cursos breves de antinflamatórios, a aplicação local de calor são suficientes para a maioria dos pacientes. Infiltração local com corticóides e lidocaína (anestésico) ou bloqueio de nervo intercostal são indicados em alguns casos refratários. Pacientes com síndrome de Tietze com dor persistente pode se beneficiar de cursos curtos de pequenas doses de corticóides orais. Definir e evitar traumas ou exercícios repetitivos que possam estar provocando a situação é lógico. Em um estudo preliminar, exercícios de alongamento pareceram ajudar a evolução da costocondrite.

Referências:

  1. Rheumatology by Klippel and Dieppe 5.15.2 CHEST WALL PAIN Adel G Fam.
  2. Joseph J. Biundo Jr. Primer on the Rheumatic Diseases, 13th edition, Disorders of the anterior chest wall. pg 84.
  3. Clin Exp Rheumatol. 1990 Jul-Aug;8(4):407-12.Tietze’s syndrome: a critical review.
  4. Am Fam Physician. 2009 Sep 15;80(6):617-20.Costochondritis: diagnosis and treatment.
  5. G Ital Med Lav Ergon. 2009 Apr-Jun;31(2):169-71.Stretching exercises for costochondritis pain.